História do Jabaquara

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Garagem da CMTC ajudou a povoar região do Jabaquara

Sem dúvidas, a chegada do metrô acelerou o crescimento urbano de toda a cidade, mas do Jabaquara de forma ainda mais intensa por ter sido uma das primeiras estações a serem inauguradas na capital, em setembro de 1974. Entretanto, desde o início do século, a estrutura do sistema de transportes na cidade já influenciava o crescimento do bairro.

Primeiro, com o trem a vapor da Light, que fazia parada na divisa entre São Paulo e Santo Amaro, na altura de onde hoje existe a Igreja de São Judas e a Avenida dos Bandeirantes, para esfriar as caldeiras. Depois, com bondes criados para atender o Parque do Jabaquara ou Americanópolis, ainda nas primeiras décadas do século XX, quando a região era ainda formada por esparsas chácaras.

Foi na década de 1940, entretanto, que uma mudança mais intensa se deu na região, com a criação da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos, a CMTC.  A empresa foi extinta, mas a antiga garagem existe até hoje, na Avenida Engenheiro George Corbisier.

Além de garantir mais opções de transportes para os bairros distantes do centro, Jabaquara inclusive, a CMTC foi importante na história do bairro porque atraiu moradores. Muitos dos operários da empresa compraram seus terrenos pela região. “Os terrenos naquela época ainda eram baratos, loteados por grandes proprietários de antigas chácaras”, relata dona Lucy Nieman, educadora de 83 anos que desde a adolescência vive no bairro e fundou ali uma escola ainda em 1958, a Escola Nossa Senhora das Graças. “As linhas de ônibus que vieram com a CMTC no Jabaquara certamente ajudaram o bairro a evoluir, povoar a região”, relembra. 

O fotógrafo e historiador Benedito Junqueira Duarte era um dos moradores do bairro nessa época. “A primeira companhia de viação era a Vila Parque Jabaquara, dos Brandi”, disse em depoimento.  “Posso dizer que fui um dos primeiros moradores do Jabaquara, em 1937, contava o famoso fotógrafo que faleceu em 1995, com 85 anos.

Ele se refere à família de Artur Brandi, um dos grandes proprietários que loteou suas chácaras facilitando a compra por operários de olarias, motoristas e cobradores da CMTC. Outra figura local que possuía vários terrenos e loteou entre operários e funcionários da CMTC foi Abraão Maria do Carmo.

A antiga moradora Italia Leoni contava: “O dono mesmo chamava-se Abrão Miguel do Carmo – ele foi dono de todo esse pedaço, tudo, tudo! Eu vim prá cá em 1955”.  Em seu depoimento, ela também relatava  origem do nome Cidade Leonor: “Quando eu comprei a minha casa, era Jardim Oriental. Depois de muitos anos, colocaram uma linha de ônibus com o nome de Cidade Leonor, então o bairro ficou conhecido como Cidade Leonor.

O morador Messias Ribeiro também relatava a importância da CMTC para a região. “Entrei na CMTC em 1954 e logo me mandaram para essa garagem aqui. Para ficar perto do serviço, comprei um terreno aqui e construí. E a facilidade também de adquirir  o terreno porque o finado Abraão era uma mão aberta. Comprava, ficava um ano sem pagar para poder construir a casa, depois começava a pagar de novo”.

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