Como surgiram os nomes de bairros na região do Jabaquara?

Cidade Ademar e Cidade Leonor seriam homenagens
ao casal Adhemar de Barros e Leonor

O que conhecemos por Jabaquara, hoje, é diferente do que era assim denominado no início do século XXI. Hoje, Jabaquara é um dos 96 distritos de São Paulo e atinge uma área de aproximadamente 14 quilômetros quadrados.

Para se ter uma ideia, a primeira vez que o Jabaquara foi oficializado como distrito municipal, em 1964 apenas, a divisa dele como Subdistrito Saúde ficava na Rua Décio, ao lado da atual estação Saúde do Metrô. Hoje, o distrito só começa na Avenida dos Bandeirantes.

E dentro de cada distrito, há inúmeros “bairros” diferentes. Um bairro é conceito subjetivo e pouco oficial, cartográfica e geográficamente falando. Só no Jabaquara, temos Cidade Vargas, Vila Guarani, Conceição, Parque Jabaquara, Jardim Aeroporto, Vila Babilônia, Sítio da Ressaca, Jardim Lourdes, Jardim Mendes Gaia, Jardim Oriental

“Para nós que somos moradores antigos, tudo era Jabaquara. Mas realmente já havia algumas divisões de bairro. A Cidade Vargas, por ter sido criada a partir de um loteamento para jornalistas e comerciários, tinha esse nome antes mesmo de as casas terem sido construídas, na década de 1940”, conta Lucy Nieman, diretora da Escola Nossa Senhora das Graças. Ela, que fundou a Escola há 60 anos, em 1958, hoje tem 83 anos e se lembra da dificuldade em transporte e infraestrutura do passado do bairro.

Muito difícil seria reconstituir a história e saber exatamente a origem de cada um desses nomes. Em geral, eles tinham relação com proprietários de terras, donos de chácaras ou outras características geográficas, como é o caso do Jardim Aeroporto que, obviamente, ficou assim conhecido pela proximidade com Congonhas.

No caso da Cidade Leonor e da vizinha Cidade Ademar – que hoje é um distrito independente – levantamentos históricos e relatos de antigos moradores indicam que podem ter sido nomeados em homenagem ao político Adhemar Pereira de Barros, que já foi prefeito da cidade de São Paulo (1957– 1961), interventor federal (1938–1941) e duas vezes governador de São Paulo (1947–1951 e 1963–1966). Ele ou alguém de sua família seriam proprietários de terras na região.

No Livro “Bairros Paulistanos de A a Z”, o autor Levino Ponciano relata essa hipótese, mas também diz que há depoimentos dando conta de que o engenheiro responsável pelo loteamento da área, pela empresa Anchieta, seria um homem chamdo Ademar.

Já o bairro de Cidade Leonor, relatam antigos moradores, seria, então, uma homenagem à esposa do ex-governador, Leonor Mendes de Barros, que também dá nome a escolas e outro bairro da capital paulista (Jardim Leonor Mendes de Barros).

Os bairros cresceram muito com olarias nas décadas de 1930, 1940 e 1950, que serviam ao rápdo processo de urbanização que a cidade atravessava. Ao mesmo tempo, as olarias atraíram mui- tos operários a morar na região. Os bairros também funcionavam como “dormitório”, para novos migrantes que chegavam do campo em busca de trabalho e no Jabaquara conseguiam, na época, comprar suas casas.

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