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Quermesses eram uma das poucas opções de lazer e cultura no passado

Em uma região desprovida de infraestrutura, com poucas opções de comércio ou de transporte público que levasse a população com facilidade para outros bairros, a diversão, o lazer e a cultura eram bem difíceis até a década de 1970, pelo menos, no Jabaquara. Com a inauguração do metrô, a movimentação era facilitada, mas ainda assim não era tão simples buscar agenda cultural longe de casa…

Escolas e paróquias se transformavam nos principais pólos de produção cultural e de socialização da comunidade. “A nossa festa junina sempre foi um grande evento. Até os dias de hoje, as pessoas adoram essa festa que resgata costumes tão tipicamente brasileiros, culinária, danças, artesanato”, avalia a fundadora da Escola Nossa Senhora das Graças, Lucy Nieman. “Mas, no passado, ainda tinha todo um envolvimento da comunidade até mesmo na organização direta da festa. Vizinhos da escola ajudavam no preparo dos alimentos e das bebidas, na decoração. Era uma grande confraternização”, lembra a educadora. 

Outros antigos moradores se lembram dessa união da comunidade também nas paróquias. “Havia as quermesses, as procissões, as festas juninas”, relatava a moradora Itália Ambrosano Leoni, em depoimento registrado na década de 1980.

Já o morador Heitor Dias Negrão, lembrava-se que o templo atual da Igreja Nossa Senhora das Graças foi construído pelo Padre Humberto, em 1959. “As procissões aqui eram no dia da festa comemorada, sempre 27 de novembro, com uma procissão pelo bairro. Com o tempo, isso foi caindo porque foi se tornando inviável devido ao grande movimento do bairro”, dizia. 

Outra antiga moradora, Maria de Lourdes Augusto dos Santos, lembra que também era comum as famílias organizarem encontros em suas casas. Eram chamadas “festas americanas”, em que cada um trazia um pratinho. “Tinha também Festa de Reis, Congadas. Um morador comandava a Congada, aqui na Vila Guarani. Ele ia de casa em casa com aquelas bandeiras do Divino Espírito Santo, inclusive, até boizinho ele colocava na rua. Ele ia na casa dos vizinhos, eles ofereciam bebidas e dali saíam todos juntos, iam dançando e brincando”.

Outro relato deixado por antigo morador, Orlando Chiapetta, dava conta que na região da Saúde, havia sempre uma festa em celebração à abolição da escravidão, em 13 de Maio, e atraía muita gente do Jabaquara. Era a festa do Zé Soldado, que reunia quitutes deliciosos e muitas roupas e bandeirolas coloridas. 

 

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