Fotos, relatos e textos sobre Cidade Vargas e Jabaquara

“Naqueles tempos”, comércio era feito com carroça

Ler depoimentos de antigos moradores traz muitas informações sobre a formação dos bairros, especialmente nas primeiras décadas do século XX. Livros e jornais ainda trazem poucos e raros dados, especialmente se a proposta é descobrir a evolução de uma região determinada. 

E é assim com o Jabaquara. “Fomos a primeira escola  particular do bairro. E havia realmente muito pouco comércio, a maioria, como nós, homenageando a padroeira do bairro em seus nomes”, relata Lucy Nieman, educadora que em 1958 fundou a Escola Nossa Senhora das Graças. 

Ela também se lembra de que antes de haver a Rodovia dos Imigrantes, havia um grande brejo vizinho, as crianças do bairro brincavam pelas ruas de terra e descampados, formavam-se “campinhos” de futebol em vários pontos. 

Outra antiga moradora, Maria de Lourdes Augusto dos Santos, deixou depoimento parecido em projeto de memória do Jabaquara promovido na década de 1980. ”Antes eram chácaras, campo de futebol, era uma várzea tremenda. E nas chácaras, os portugueses plantavam e nós comprávamos deles verduras fresquinhas da época; também tinha flores. Diversas espécies de flores”, dizia.

No bairro junto à atual Imigrantes, a Cidade Vargas, onde foi fundada a escola, também havia uma única farmácia – essa, em homenagem ao próprio bairro (foto). Ficava onde hoje está o Banco Bradesco, na esquina da Rua Nelson Fernandes com a Rua dos Jornalistas. Algumas “vendinhas” também.

Aliás, os pequenos armazéns que as famílias da época chamavam de “vendinhas” realmente eram pouco frequentes em uma região tão pouco habitada e ainda marcada por chácaras e decampados. 

“Próximo ao córrego Água Espraiada, eram só chácaras de italianos e portugueses”, deixou em relato registrado na década de 1980 o falecido líder comunitário local Isidoro Machado. “Havia criação de vacas, cabras e outros animais. Carroças andavam por aí. Eles faziam a venda dos produtos em carroças”. As carroças, aliás, também vendiam pães e leite – em garrafões retornáveis. 

Primeira Farmácia da Cidade Vargas, Jabaquara, ficava onde hoje há um Banco Bradesco, na esquina da Rua dos Jornalistas com Rua Nelson Fernandes, em 1956. Foto: acervo Jornal SP Zona Sul, da coleção particular de Mamede Francisco da Costa

Feira Livre na praça Conceição Meireles / Rua dos Comerciários (Cidade Vargas), 1950/55 Fotografo: Mamede Francisco da Costa .Foto: Acervo Jornal SP Zona Sul, da coleção de Mamede Francisco da Costa

Next Post

Previous Post

Leave a Reply

© 2018 História do Jabaquara