Fotos, relatos e textos sobre Cidade Vargas e Jabaquara

Jabaquara tinha granjas e olarias

Quem nunca ouviu os mais antigos dizerem que precisam “ir à cidade”, sendo que na verdade se referem ao centro? Ou ao menos contar histórias do passado quando, para fazer compras ou resolver assuntos importantes, procurar médicos e dentistas, também pegavam “uma condução” para ir “até a cidade”? 

Mas, eles já não viviam “na cidade”? A expressão era comum naquela que se tornou a maior metrópole do país. O Jabaquara tem histórias que resgatam seu nome desde o início do século XX, quando ficava em uma região pertencente ao então município independente de Santo Amaro. Ao longo das décadas de 1920 e 1930, com a formação de núcleos residenciais também em municípios vizinhos como Diadema e outras cidades do ABC, os bairros da divisa foram ganhando novos moradores. 

É bem verdade que as casas eram mais esparsas e muitas chácaras resistiam pela região. Um indicativo interessante é o comércio – até a década de 1974, com a chegada do metrô, ainda bastante incipiente na região e que, por isso mesmo, obrigava moradores a “irem à cidade”. O bairro fazia parte “do campo”, da área rural, portanto.

A Cidade Vargas, que se formou como núcleo residencial a partir da década de 1940, assim como sua vizinha Vila Guarani, tinham algumas “vendinhas” e armazéns, uma farmácia e quase nenhuma loja. Uma feira livre era promovida na Rua dos Comerciários.

A Escola Nossa Senhora das Graças surgiu ainda nesse tempo de baixa densidade populacional, em 1958! Referência para a população local como instituição particular de ensino, não só se manteve viva ao longo das décadas como cresceu e hoje atende da Educação Infantil até o Ensino Médio, sempre aberta para a educação inclusiva. “Havia poucas opções de transporte e as crianças precisavam estudar. Seria muito complicado ir até o centro para frequentar uma escola”, relembra Lucy Nieman, que fundou a ENSG há 60 anos e até hoje se mantém na direção.

Mais comuns, até 1970, eram realmente as chácaras e negócios de características quase rurais. Na Vila Campestre, outro bairro que se formou a partir de 1930, havia granjas e olarias. 

As olarias foram fortes na região até a década de 1960. Certamente, forneciam material de construção para os muitos moradores que passaram a se instalar nessas áreas mais distantes do centro. Há depoimentos de moradores antigos que se referem a olarias nos bairros de Americanópolis, Vila Fachini, na Vila Guarani (junto à atual Avenida dos Bandeirantes).

Em relato registrado na década de 1980, uma das moradoras pioneiras da região, Cordelia Ianni, contava que famílias japonesas ensinaram à família dela o cultivo de hortifrutigranjeiros em 1946, quando se instalaram no bairro.

Sede de chácara na Vila Campestre. Fotos: Acervo Jornal São Paulo Zona Sul

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