História do Jabaquara

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Mabe pintou o Jabaquara em 1963

E dentro do atual e oficial distrito do Jabaquara, existem vários bairros. É um desafio recuperar a história de cada um deles, mas um desafio que provoca emoções, recordações e descobertas interessantes.

Alguém já chegou a se perguntar por que o bairro Jardim Oriental leva esse nome? É o bairro que carrega histórias por ter sido sede da principal garagem da extinta CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), a empresa de ônibus da capital.

E também histórias tristes como o acidente com o Fokker 100 da TAM em 1996, que caiu em rua do bairro logo após decolar do Aeroporto de Congonhas. Mas, o fato é que investigações indicam que o bairro pode ter ficado conhecido por esse nome por conta da sede da Seicho No Ie, igreja oriental, construída na região na década de 1950.

Foi também nessa época que saía de Lins – mesma cidade de origem dos precursores da Seicho No Ie no Brasil – o artista plástico Manabu Mabe, nascido no Japão e que deixava o interior paulista para poder se dedicar à sua arte.

Não há certeza de que o nome do bairro tenha vindo dessa provável concentração da colônia japonesa, mas o fato é que o próprio Mabe morou ali desde a década de 1950 até seu falecimento, em 1997.

E a casa dele, pertencente à família e ao Instituto Mabe até hoje, sempre teve um lindo e autêntico… jardim oriental. Com paisagismo típico japonês, incluindo um lindo lago de carpas, o jardim de Mabe certamente inspirou muitas de suas pinturas, feitas no ateliê da casa.

Mas não foi sempre assim. Quando o pintor chegou ao bairro, ele encontrou muitas ruas de terra batida, muita simplicidade. Ele contava que deixava um facão na soleira da porta de entrada. Por que? Para tirar o barro das solas das botas usadas para ir “até a cidade”, ou seja, para ir até a região central da capital.

Em 1963, Mabe pintou a obra “Paisagem do Jabaquara”, um óleo sobre tela, de 45.50 cm x 38.00 cm. A obra, hoje, faz parte da Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM RJ, de acordo com a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras.

“A arte tem o valor de retratar momentos, sentimentos, até expressar histórias por meio das cores intensidades e técnicas”, avalia Eliane
Kattur Nieman Mello, diretora pedagógica da Escola Nossa Senhora das Graças, que este ano está celebrando 60 anos e está contribuindo para o resgate histórico de todo o Jabaquara. “Entender e desvendar a contribuição das diferentes colônias e culturas é fundamental nesse processo de reconstituição da trajetória da região”, conclui.

1995 – Manabu Mabe e o curador Enock Sacramento, nos jardins da casa do pintor, no Jabaquara em São Paulo. Foto: Acervo Enock Sacramento, em http://abca.art.br/n27/14artigos-enock.html

Manabu Mabe em seu atelier, na casa do Jabaquara, onde muitas de suas pinturas foram feitas. Foto: Alesp

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