Americanópolis foi inaugurado com corrida de bicicletas, em 1923

É muito difícil precisar quando surge um bairro na metrópole paulistana. Mas, alguns agrupamentos residenciais têm história bem definida, marcada por passagens interessantes, eventos curiosos. É o caso de Americanópolis.

A região só realmente foi povoada com mais intensidade a partir da década de 1960, por conta do crescimento do ABC paulista e da atividade metalúrgica. Área de passagem entre a capital e as cidades que concentravam montadoras de automóveis e outras indústrias, Americanópolis foi despertando o interesse da população que não tinha tantos recursos para comprar imóveis mais centrais – seja em São Paulo ou nas cidades de São Bernardo, Santo André, São Caetano e Diadema.

Mas, ainda na década de 1920, foi criada uma linha de bonde para o bairro, ligando-o com a área mais povoada e central do Jabaquara – desde as proximidades da atual Igreja de São Judas, por onde passava a primeira linha de bonde ligando São Paulo a Santo Amaro, até a região onde hoje está localizado o terminal metroviário do Jabaquara.

Esse trecho ainda era muito despovoado e contava com o Parque do Jabaquara, nessa época, um recanto de lazer particular pertencente a  Antonio Cantarella.  Mas, para além do parque, já havia alguns núcleos residenciais de Americanópolis e Vila Santa Catarina.

De acordo com Waldemar Correa Stiel, em seu livro “História dos Transportes Coletivos em São Paulo, no final de 1923 foi “inaugurado” o bairro de Americanópolis.

“Em 15 de novembro de 1923, com a inauguração do bairro de Americanópolis, onde haveria uma corrida de bicicletas, foi estabelecida uma linha de “autobondes” entre Jabaquara e aquele novo bairro”, relata o autor. E prossegue: “Deve ter dado resultados satisfatórios pois, seu proprietário, sr. Afonso de O. Santos, estabeleceu um horário e colocou ônibus diários a partir de domingo, 10 de fevereiro de 1924: partidas de Americanópolis – 6h15min, 12h, 14h e 17h30min; partidas do Jabaquara – 6h40min, 12h40min, 14h40min e 18h”.

Já o autor Levino Ponciano, em “História dos Bairros Paulistanos de A a Z” informa que  boa parte dos terrenos da região teria como proprietários o casal João e Nilza, o que explicaria a origem, também, do vizinho bairro de Vila Joaniza.

“Resgatar a história de todo o Jabaquara não é tarefa fácil”, avalia Eliane Kattur Nieman Mello, coordeadora pedagógica da Escola Nossa Senhora das Graças. “É preciso levantar dados sobre os vários bairros e pequenas vilas que integram o distrito. Muitos faziam divisa com a cidade de Diadema e com Santo Amaro que, até 1935, era um município independente”, avalia.

A Escola está celebrando seus 60 anos e sua fundadora, Lucy Nieman, que tem 83 anos e vive no bairro desde a adolescência. “Eu vi o crescimento e a evolução de toda a região e considero fundamental que as novas gerações conheçam a história”, diz a educadora.

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