História do Jabaquara

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Estação Conceição: qual a origem do nome?

Por que a estação Conceição tem esse nome? A pesquisa leva às origens da própria cidade de São Paulo, do bairro do Jabaquara e da vizinha Diadema.

Essa região toda era formada por sítios e a cidade de São Paulo, propriamente dita, restringia-se ao que hoje entendemos como centro velho, até o século XIX.  Entre esses sítios, havia o de Antonio Piranga, que foi dono de uma serraria na região entre Diadema e o próprio Jabaquara, o que explica inclusive a existência de industria moveleira no ABCD paulista.

Ali, havia sido construída ainda no século XVII uma capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição que, embora tenha ficado muitos nos abandonada, nunca deixou de ser parada de tropeiros, fiéis, que circulavam tanto entre a baixada santista e a capital como sertão adentro, em busca de minas de ouro na região do Taboão da Serra.

A capela de Nossa Senhora da Conceição acabou se tornando um núcleo residencial, até hoje conhecido como o bairro de Vila Conceição, no centro da atual Diadema.

A estrada que ligava São Paulo a esta pequena vila e sua famosa capela ganhou o nome de estrada da Conceição e, depois, Avenida Conceição.

Em 1948, quando moradores dessa região central de Diadema buscaram a emancipação enquanto município, o nome oficializado só não foi Vila Conceição porque já havia um bairro com esse nome no Jabaquara paulistano. Optou-se, então, por Diadema em referëncia à coroa usada por Nossa Senhora Conceição.

A estação de metrô, portanto, levou esse nome por conta da Avenida que passa ali. A via mudou de nome na década de 1970, depois da chegada do metrô, quando houve um projeto de reurbanização local – o CURA (Comunidades Urbanas de Recuperação Acelerada).

O nome escolhido homenageia o ex-prefeito (de 1951 a 1953) e um dos grandes incentivadores e defensores da construção do metrô na capital paulista, o engenheiro Armando Arruda Pereira*, que faleceu em 1955.

Depois da divisa, em Diadema, a avenida continua a se chamar Conceição até os dias atuais.

“Na minha infância, muitos ainda chamavam a avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira de Avenida Conceição”, relembra Marcia Tavares Nieman, assistente de direção da Escola Nossa Senhora das Graças. A Escola está celebrando os 60 anos de existência e busca resgatar toda a trajetória não só da própria escola como também do bairro onde está sediada, a Cidade Vargas, e de bairros vizinhos, como a Vila Guarani. Estudante, moradora e profissional do bairro, Márcia acompanhou as intensas mudanças das últimas décadas.

 

*Correção: a versão inicial dessa matéria apontava incorretamente que Armando Arruda Pereira era um dos engenheiros do projeto Cura.  A correção foi feita a partir do alerta de alguns leitores. Agradecemos e pedimos desculpa pela falha.

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2 Comments

  1. Edson Felizardo 26 de março de 2018

    Tem um dado histórico incorreto, poderá conferir numa pesquisa:
    O Engenheiro Armando de Arruda Pereira foi prefeito de São Paulo em 1952, e criou o projeto do “Anel Viário” que ligaria as Avenidas Marginais com o Caminho para Santos. Projeto de 1952 que ao longo dos anos foi mudando de nome para “Rodoanel” mas o projeto original foi dele enquanto prefeito.
    Deram o nome dele à antiga avenida Conceição, e o “anel viário” ou Rodoanel” deveria encontrar com essa avenida no Jabaquara, originalmente.

    • Ana 26 de março de 2018 — Post Author

      Tem razão, Edson, a correção já foi feita! Obrigado! Continue a contribuir conosco!

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