Metrô e complexos empresariais transformaram Vila Guarani

Em 1958, imagens de satélite mostram bairros do Jabaquara já loteados, com muitas moradias, arruamento. Mas, não só não havia nenhum prédio, como também faltava meio de transporte.

A “travessia” do Córrego da Traição – hoje canalizado sob as Avenidas dos Bandeirantes e Afonso D’Escragnolle Taunay – era complexa e incluia descer e subir o vale do rio.

Foi só com a chegada do metrô, construído a partir do final da década de 1970 e inaugurado em setembro de 1974, que essa realidade se modificaria.

Uma reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em 1979, mostrava que desde o início das obras, cinco anos antes, os imóveis da região haviam valorizado 12.300%. Na reportagem, moradores antigos como Ana Bonani, no bairro desde 1928, dizia que as mudanças vieram mesmo com a inauguração da estação Conceição.

A matéria ainda relatava: “De lá para cá, a região foi invadida por edifícios residenciais, bancos, pequenos e grande comércio, depósitos de indústias e outras atividades de prestação de serviços”.

O que os moradores ainda não sabiam é que outra gigantesca alteração aconteceria dentro de duas décadas. “Em minha infância, o bairro da Vila Guarani ainda era considerado distante e desprovido de infraestrutura”, relembra Eliane Kattur Nieman Mello, que cresceu no bairro vizinho de Cidade Vargas nessa época.

Diferente da Vila Guarani, a Cidade Vargas surgiu a partir de um loteamento planejado, para ser como um condomínio residencial, a partir da década de 1940. Hoje diretora pedagógica da Escola Nossa Senhora das Graças, fundada por sua mãe Lucy Nieman no mesmo longínquo ano de 1958, Eliane confirma que as transformações maiores ainda estavam por vir, para o entorno da estação Conceição.

Se o metrô representou uma primeira guinada na história do bairro, a construção de dois complexos empresariais a partir da década de 1980 provocariam transformações ainda mais profundas na história local.

O Centro Empresarial do Aço e o Complexo Empresarial Itau trouxeram muitos empregos e atraíram novos moradores para o bairro. Diversos empreendimentos imobiliários modernos continuam, até os dias atuais, surgindo no entorno da estação Conceição.

Mais do que isso, os prédios de escritórios fizeram crescer também o comércio no entorno, com aparecimento de restaurantes e lojas para atender os milhares de funcionários que circulam por ali diariamente.

Imagens de satélite
em 1958 e hoje

(Fonte: Geoportal)

 

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