História do Jabaquara

Fotos, relatos e textos sobre Cidade Vargas e Jabaquara

Parque Jabaquara era… um parque!

Ao lado do Aeroporto de Congonhas existe, na atualidade, um bairro conhecido por “Parque Jabaquara”, dentro do distrito oficial do Jabaquara.

 

O nome do bairro remonta ao início do século XX, quando ali efetivamente havia um parque, particular. A construção do Aeroporto de Congonhas, algumas doações de terrenos para entidades beneficentes e desapropriações feitas tanto pelo Governo do Estado quanto da Prefeitura foram reduzindo o tamanho do antigo bosque.

Da década de 1930 em diante, aos poucos, o proprietário do Parque, propriamente dito, Antonio Cantarella, passou a lotear áreas e assim surgiram ruas cheias de casas em bairros como Vila Guarani, Parque Jabaquara, Jardim Aeroporto e Cidade Vargas.

 

Do Parque, restaram apenas o nome e algumas poucas praças e áreas verdes remanescentes, como o Parque Lina e Paulo Raia. Para se ter uma ideia, enquanto o Parque Jabaquara original contava com 2,5 quilômetros quadrados, ou seja, 2,5 milhões de metros quadrados, o parque Lina e Paulo Raia tem apenas 15 mil metros quadrados. O Jabaquara todo, considerando-se a área do distrito municipal oficial, tem 14 metros quadrados. Deduz-se, portanto, que o parque ocupava quase 20% do território do Jabaquara.

 

Histórias curiosas, entretanto, podem nos fazer imaginar como era o Parque do Jabaquara, um bosque particular com “sócios” ou cobrança de ingresso para visitantes.

Evolução do Parque

Registros iniciais dão conta que trechos daquela área pertenciam ao jornalista russo Alexandre Wainstein, que acabou doando parte do terreno para obras da Cruz Vermelha e outro lote, junto à atual Avenida Indianópolis, para construção de um “retiro de jornalistas”.

 

No início do século, entretanto, era Antonio Cantarella o proprietário da maior área do Parque. Em setembro de 1910, ele publica um anúncio de página inteira no jornal O Estado de S. Paulo, vendendo títulos para que pessoas pudessem se tornar sócias do empreendimento.

 

O proprietário divulgou em um anúncio de página inteira no jornal “O Estado de São Paulo”, em que dizia pretender abrir uma Sociedade Anônima. Quem comprasse cotas, contribuiria para o desenvolvimento agrícola, industrial e ainda com a transformação do local em recreio estritamente familiar. Cantarella pretendia construir no local quadras de futebol, tênis, cricket, bibliotecas, salões para festas e recepções “exclusivamente familiares”.

 

O local era descrito como um imenso bosque: dois milhões e quinhentos mil metros quadrados e, destes, 1 milhão de mata virgem, com madeira de lei, com uma infinidade de caminhos. No bosque, descreve o texto, havia 10 mil eucaliptos, 3 mil pinheiros, com 15 a 20 metros de altura, 3 mil videiras, 1000 laranjeiras e mixiriqueiras, 300 altas jaboticabeiras, entre várias outras árvores (até cerejeiras!), arbustos e flores.

 

O Parque ainda contava com uma imensa casa em estilo suíço, estábulos, chiqueiro, galinheiro. O ousado projeto prometia montar horticultura, floricultura, fruticultura, um laticínio, além de criação de porcos.

 

Como o Parque era de difícil acesso, seu proprietário lutou, por anos, junto aos vereadores e Prefeitura para conseguir melhorar a Avenida da Saúde – nome que se dava à Rua Domingos de Moraes no trecho entre as atuais Rua Madre Cabrini e Rua Luís Góes – e Avenida Jabaquara, para facilitar o acesso aos visitantes.

 

Aos poucos, com o crescimento da movimentação no Aeroporto de Congonhas, a acelerada expansão urbana, o parque foi desativado. Na década de 1950, vários lotes passaram a ser vendidos. Outros bairros vizinhos cresciam e pressionavam a reserva natural do parque.

 

Com a chegada do metrô, no final da década de 1970, a área toda foi definitivamente loteada e, no início da década de 1980, o Projeto Cura – Comunidade Urbana de Recuperação Acelerada, da Prefeitura, acabou de vez com a área verde. Sobraram no bairro apenas o Parque Lina e Paulo Raia, o Nabuco e o Parque do Chuvisco.

Parque Lina e Paulo Raia visto do alto: pouco verde sobrou do antigo parque. Foto: Prefeitura SP

 

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2 Comments

  1. Regina 18 de outubro de 2017

    Tenho 4 filhos hoje todos adultos e casados, mas quando eram crianças eu sempre os levava para brincar nesse parque, mas nós o conhecíamos como Parque Conceição, nunca ouvi ninguém chama – lo de parque Jabaquara!!

    • Ana 19 de outubro de 2017 — Post Author

      Na verdade, o Parque a que se refere é o Parque Lina e Paulo Raia, também conhecido como Parque Conceição, criado em 1980. O Parque Jabaquara era um empreendimento particular, muito, mas muito maior, com 2 milhões e meio de metros quadrados – o da Conceição tem apenas 15 mil metros quadrados – e que existiu entre 1910 e 1930. Hoje, há um pedaço do bairro conhecido como Parque Jabaquara, nas cabeceiras do Aeroporto de Congonhas.

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