Congonhas alterou vida na Zona Sul

Se o Aeroporto de Congonhas foi realmente o motivo para que o município de Santo Amaro fosse anexado ao município de São Paulo, às vésperas de sua inauguração, em 1935, também contribuiu muito para modificar a vida do entorno após o início das operações.

 

Imagine-se o quanto, na década de 1930, era glamuroso e único viajar de avião. Se esse era um luxo para poucos, por outro lado, a pista de pousos e decolagens era muito simples, não havia um saguão de entrada, um terminal de passageiros. Tudo era tão rústico quanto a paisagem do entorno.

 

Ainda assim, curiosos surgiam de todos os lados para assistir a aviões como o Cesna levantando voo. Esse movimento só aumentaria ao longo das décadas seguintes.

Só em 1948 começou a construção do terminal de passageiros. E foi em 1955 que a cidade ganhou o saguão principal – majestoso e com projeto arquitetônico baseado no art deco, de inspiração naval, que se tornaria um patrimônio histórico da cidade, tombado pelo Conpresp.

 

Com a construção do terminal de passageiros, na década de 1950, o Aeroporto de  Congonhas, então localizado na estrada para Santo Amaro Washington Luiz, tornou-se um ponto turístico da capital.

 

De acordo com levantamento histórico feito pelo Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura, havia no aeroporto, além do concorrido restaurante, até um salão de festas muito usado para bailes de formatura. Na época tornou-se um hábito ir até Congonhas para admirar os aviões depois de tomar um cafezinho nos bares do saguão central.

 

O projeto arquitetônico é obra, segundo a Infraero, de Ernani do Val Penteado e Raymond A. Jehlen.

 

A empresa ainda informa que, além da edificação, elementos internos são tombados. No mobiliário, há elementos de composição arquitetônica  tais como revestimentos, portas, forros; obras artísticas e até um hangar fazem parte do processo de tombamento.

 

Outro destaque do projeto arquitetônico é o chão quadriculado em preto e branco, que habita a memória do paulistano, assim como o terraço.

 

A entrada principal do aeroporto ainda conta com um busto de Santos Dumont, patrono da aviação brasileira, datado da mesma década de 1950. A obra é de ninguém menos que Victor Brecheret, mesmo escultor responsável pelo Monumento às bandeiras.

 

Os arquitetos Ernani do Val Penteado e Raymond A. Jehlen são os autores dos painéis em mosaico, ao lado da escada e no saguão central, enquanto, no Pavilhão das Autoridades, um mural de Di Cavalcanti e Clóvis Graciano contrasta com as pinturas nos espelhos feitas pelo arquiteto francês Jacques Monet.

 

Já dos dias atuais, um painel do artista plástico Eduardo Kobra, retrata a antiga fachada do aeroporto e relembra a cena das visitas feitas ao local pelos paulistanos para observar os aviões decolando.

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