O Córrego da Traição

No século XVII, a cidade de São Paulo se limitava a uma pequena vila, escondida no Planalto Paulista – como era conhecida esta região além da Serra, quase isolada, com cerca de 2 mil habitantes. Já tinha uma Câmara Municipal e vereadores, entretanto.
Esse isolamento explica porque a cidade quase não tinha escravos. A mão de obra escrava era mais utilizada em lavouras no interior paulista, mas não na capital, onde se restringia a uns poucos homens que serviam a comerciantes ou fazendeiros que tinham também propriedade na capital.
Ainda assim, houve resistência e fugas. Há registros esparsos de formação de núcleos de homens negros que buscaram áreas mais distantes do centro para se abrigar.
A avenida Conselheiro Rodrigues Alves, na Vila Mariana, já se chamou Rua Jabaquara, e estima-se que ali deve ter havido algum pequeno grupamento.
O esconderijo mais famoso, entretanto, estava depois do córrego que hoje passa sob a Avenida dos Bandeirantes. Pesquisadores e historiadores das origens paulistanas apontam que o córrego teria sido chamado de Traição – nome que perdura até hoje, embora o curso d’água esteja subterrâneo, sob as Avenidas dos Bandeirantes e Afonso D’Escragnolle Taunay – por conta dos constantes ataques de escravos fugidos a carregamentos que saiam da vila de Santo Amaro, então uma “freguesia” independente e que não fazia parte dos mapas paulistanos, em direção a São Paulo.
Mas, esses assaltos, contam livros da época, eram comandados por um homem branco e temido na cidade, que se escondia além do Riacho da Traição: o Vigário Albernaz, que foi proprietário da sesmaria onde hoje está a casa do Sítio da Ressaca.
Por muito tempo, no século XVII, a Casa era conhecida como Casa do Padre Albernaz, embora seja improvável que tenha sido por ela construída. Albernaz viveu em São Paulo em meados do século XVII (chegou à cidade em 1640) e a casa deve ter sido construída em 1719, ano que está inscrito em sua porta.
Na foto abaixo, a Usina da Traição em construção na década de 1930. A Usina, que existe até hoje no início da Avenida dos Bandeirantes, foi feita para aumentar a capacidade de geração de energia e fica no encontro do Rio Pinheiros com o Córrego da Traição.
Foto: Fundação Energia e Saneamento

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